Eu não posso me queixar. “Haverá mudanças”, Ela disse. E, realmente, as mudanças chegaram . Para todos, era uma vida a dois, uma união em prol da vida comum, da divisão de deveres e prazeres, da convivência amigável e tranqüila de um casal que se amava. Na prática, era a assinatura definitiva do meu contrato tácito de escravidão.
As tarefas de casa seriam todas minhas. Como uma empregada doméstica, cuidar da limpeza, da arrumação, dos mantimentos, cozinhar, lavar a louça e, como Ela fez questão de especificar, lavar suas calcinhas à mão. A limpeza de Seus calçados também seria feita por mim, retirando a sujeira, limpando, polindo, e, quando Ela exigia, usando a minha língua. As demais tarefas domésticas eram agendadas e cobradas por ela, havendo uma fiscalização diária referente aos serviços determinados, e, em caso de desagrado de minha Dona, os castigos eram terríveis.
“Puta, vagabunda, piranha, cadela, cachorro, inútil, verme, escravo, lixo”, seriam meus nomes, e o que mais Ela decidisse. Por outro lado, só poderia dirigir-me a ela como “Senhora, Deusa, Rainha, Mestra, Dona”. Na frente de terceiros, havia um teatrinho convincente da parte de ambos. Mas a realidade era muito, muito diferente. Confesso que, no começo, pensei que era o escravo mais sortudo do mundo. Porém, dentro de pouco tempo, passei a ter sérias dúvidas sobre tudo aquilo...
Foi preciso um adestramento extremamente rígido. Normas inflexíveis, humilhações pesadas, sofrimento intenso e contínuo, dor constante, maus-tratos como regra geral, cobranças, exigências... Cada momento trazia o medo de errar, as lembranças das conseqüências da irritação de minha Senhora, meu corpo carregava inúmeras cicatrizes resultantes destes destemperos. Ela sabia o que estava fazendo. Ela sabia o que queria. “Você não é homem”, Ela disse. “Você não é gente”, Ela disse. “Você não é nada além do que eu determinar que você é”, Ela decretou. E Ela não poderia estar mais certa.
A nossa rotina era cheia de detalhes criados por Ela. Ao chegar do trabalho, Ela se sentava na poltrona da sala (que me ordenou comprar e proibiu de usar, sendo exclusiva para Ela), esticava as pernas sobre um puff e ligava a TV ou folheava uma revista, descansando, enquanto eu devia retirar Seus sapatos, cheirar Seus pés ainda suados e de meias, depois, a Seu comando, retirar as meias e guardar de volta nos sapatos, e então limpar o suor de Seus pés com a boca, lambendo cada centímetro, chupando os dedos, limpando entre eles, e relaxando-os. Diariamente, minha Rainha também me utilizava como privada ao menos uma vez, ali mesmo, na sala do apartamento, sentando-se sobre a minha boca, urinando, e me obrigando, debaixo de violentas chicotadas, a lamber o que caísse no chão e depois limpar com pano e álcool. Durante Seu banho, eu ia para a cozinha. Enquanto terminava de preparar o jantar, Ela ia navegar na internet, fazer e receber ligações no celular ou qualquer outra atividade que a distraísse. Isso, claro, quando Ela não ia para a cozinha fazer exigências sobre a comida, o modo de preparo e castigar-me por não estar fazendo do jeito correto.
A refeição era servida por mim, na mesa posta por mim, mas apenas para Ela. A minha refeição vinha depois, no chão, aos pés Dela, em potes de plástico usados para alimentar cães. Para não haver uma mesmice, minha Rainha variava no modo como estaria meu alimento: às vezes, Ela o mastigava e cuspia na tigela, às vezes ela apenas cuspia sobre o alimento, às vezes pisava e o esmagava, às vezes só enfiava os pés na tigela e me mandava comer. O que não variava, era a posição “de 4” em que eu ficava, e a falta de talheres.
Depois de lavar a louça, vinha o sofrimento real. Sessões diárias de espancamento, humilhações, tapas, chutes, pisões, chicotadas, chibatadas, arranhões, sufocamentos e estupros. Aliás, eu não tinha permissão para ter relações sexuais com minha Mestra, mas era diariamente estuprado por Ela, usando Seus dedos e diversos tipos e tamanhos de consolos. E minha Rainha me fodia todos os dias, com vontade, com violência, com uma sede incomparável. Eram os raros momentos em que eu era autorizado a ter um orgasmo. A única participação ativa, nesse sentido, que eu podia ter, era chupar sua boceta e cuzinho, o que fazia enquanto apanhava, diariamente. Por outro lado, ela tinha vida sexual ativa, com outros homens, sempre que desejava. Inclusive, em nosso apartamento. Não raro, obrigava-me a ficar lá e presenciar. Em muitas vezes, exigia que eu participasse, de forma submissa, apanhando, lambendo Seus pés e ouvindo que eu era corno. Além de outros homens, minha Deusa tinha, também, outros escravos e cadelas, que Ela usava da maneira como queria. Em várias ocasiões, restava-me apenas esperar, sozinho em casa, enquanto Ela se divertia fora.
Doía na pele, doía na alma, mas era aquela a vida que minha Mestra queria, merecia, e que eu podia e devia proporcionar. Essa, aliás, era minha única utilidade, segundo ela. “Você é inferior”, ela disse. “Eu sou melhor que você. Posso mais que você. Eu crio as regras, eu controlo, eu julgo, eu condeno e eu castigo, porque eu tenho este poder. E a você, cabe lamber o chão onde eu piso, em agradecimento por ter a chance de vivenciar o meu reinado, a minha soberania, o meu encanto. Sem mim, a sua vida acaba.”. Ela tinha razão. E eu não podia estar mais satisfeito. Eu não posso me queixar.





